
Tenho acompanhado atentamente a suposta crise que envolve a gestão Luizianne Lins. Há um alvoroço desmedido por parte da mídia em torno da gestão atribulada da prefeita do PT. As acusações, da mídia e parte da oposição, são superficiais e tentam a todo o momento hiper dimensionar os problemas que a cidade sempre enfrentou, uns, mais cegos, ainda traçam paralelos entre gestões passadas e a gestão atual, tentando, de forma atabalhoada, cativar a opinião pública de que o governo vai mal. Por favor, os defensores da prefeita já provaram que boa parte dos problemas podem ser solucionado e que, óbvio, a prefeita tem uma equipe bem inoperante, uns pensam demais e executam “de menos”, outros executam demais e pensam “de menos” e no meio, os espertos, que ficam ali, correndo atrás do próprio rabo.
Na verdade a crise que enxergo é a do poder. Não é possível mapear o poder por que ele é cíclico, ele não está mais com a mídia, pois essa perdeu o controle da produção e recepção (por isso a cibercultura é ainda um campo tão vasto de estudos, pois ela mistura as funções do emissor e receptor) a televisão, aos poucos, serve bem de pintura, de moldura na parede, quadro mal pintado das mídias já frias. O poder precisa existir na morte dele próprio, assim ele encontra resistência e legitimidade. É por isso que a roda gira em torno da morte da rainha. Os “meios de comunicação” tentam provar a verdade pelo escândalo, sendo este, nada mais, que uma simulação. É assim que a vida vem se tornando, provar o real pelo imaginário, provar a lei pela transgressão, trabalho pela greve, sistema pela crise...
Os buracos, o trânsito, saúde pública, emprego, educação, enfim... Esses problemas que boa parte das cidades no mundo enfrentam são manifestações da modernidade e, sinceramente, esse assunto já está desgastado, pois já pululam defesas e acusações por toda a parte. A mídia, na histeria da produção e reprodução do real, começa inclusive a insuflar um monte de possíveis candidatos para a sucessão em 2012. É a busca do referencial, e para isso, precisa-se da morte do referencial, pois a mesma se alimenta da desestruturação de todo o referencial, das distinções entre bem e mal, verdadeiro e falso e por aí vai.
Existe a degradação de todos esses poderes. Os medias vão exercendo uma violência anuladora, em sua própria estrutura, de toda substância e finalidade. Às vezes, penso que os adesivos de carro “#foraluiziannelins”, as várias inserções nos meios de comunicação dos problemas na gestão, a suposta cobrança da sociedade (outra simulação), os ataques pessoais, tudo isso é uma tentativa de manter, no imaginário político, a figura do Chefe de Estado, é igual o furor da mídia italiana em torno da vida pessoal de Berlusconi, é o mito popular, tanto é que Luizianne, agora em 2011, luta para dizer que não esta morta. Um circo!
A gestão e o suposto poder político, parecem não mais existirem, como já disse, mas o que podemos assistir ainda por aí, são os discursos, de um lado e do outro, e essa é a melhor parte, o poder, não mapeado, “está de acordo com os discursos sobre a ideologia; é que são discursos de verdade – sempre bons, mesmo e sobretudo se forem revolucionários, para opor aos golpes mortais da simulação” (Jean Baudrillar).

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